Edição nº 7, dezembro de 2006
 
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Foto de Gerardo Lazzari

Quem sabe de mim sou eu

Dezenas de crianças de 3 a 12 anos estão sentadas em roda no salão da Igreja de Santa Rita de Cássia, no Pari, zona leste da capital paulista. A professora Djane Correia de Andrade, 51 anos, começa a aula com o cumprimento habitual do grupo Escola de Capoeira Caminho dos Pés e das Mãos: “Atenção, capoeira. Iê! Atenção, capoeira. Saúde. Brasil!” Os alunos vestem o abadá. “Quem pode compra, mas quem não pode tem do mesmo jeito. A gente pede uma contribuição de 3 reais e faz rifa para manter a água, o material de limpeza, uniformes e instrumentos.” Para entrar no projeto – que ensina também a tocar berimbau, atabaque e pandeiro – é preciso ter mais de 10 quilos, bom rendimento escolar e não usar a capoeira para brigar.

Djane era educadora na Pastoral da Criança, aonde levava seus filhos para treinar capoeira. Seu namorado, o professor de capoeira Cléber Alves da Silva, de 24 anos, foi quem a incentivou, ainda mais depois de sofrer um acidente vascular cerebral que a deixou com um lado do corpo paralisado. Os médicos não acreditavam que ela recuperaria os movimentos, talvez por não conhecer os poderes de Djane, de Cléber e da capoeira: “Só não faço saltos mortais”, garante a mestra, que aponta como dificuldades a superar a falta de um lugar próprio para aulas e para dar conta da fila que as crianças fazem para jogar com ela. “Para muitas delas, é o único divertimento que têm nos dias de maior movimentação do crime aqui no bairro.” (Por Xandra Stefanel)